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14/08/2002
Fonte:

Cruzamento Industrial Heterose Mais Genética Aditiva

A pecuária do Brasil está sofrendo intensa absorção de tecnologia. Está havendo melhoramento importante no manejo de pastagens com programas de adubação em cobertura e reforma de pastagens.


Os criadores buscam aprimoramento genético das raças puras e realizam programas de cruzamentos, além da melhora da sanidade e manejo do rebanho, completando a evolução da pecuária de corte brasileira com uma melhor relação custo benefício.


A pesquisa mundial comprova que o cruzamento Zebu com Europeu, traz 20% a mais em peso vivo em relação ao produto puro de uma só raça.


As vantagens do cruzamento são inúmeras como: rusticidade, precocidade sexual, precocidade de acabamento e diminuição da idade ao abate. A expressão maior ou menor de cada qualidade depende das raças utilizadas, a exemplo da fertilidade que pode ser melhorada com raças férteis e precoces.


Existe ampla comprovação científica nos EUA e no Brasil da viabilidade econômica do cruzamento industrial e ele é utilizado em larga escala nos EUA, Nova Zelândia e Austrália.


A introdução de dois fatores importantes na pecuária de corte, a heterose e a genética aditiva são relativamente simples e completarão o pacote tecnológico de uma pecuária eficiente e economicamente viável.


A tecnologia dos compostos é aplicada mundialmente na criação do moderno frango de corte e do suíno industrial, e está sendo aplicada no caso da pecuária de corte.


Nas regiões de clima mais quente (Brasil) utiliza-se o cruzamento entre Bos Taurus e Bos Indicus (Europeu x Zebu). Nos climas mais frios são usados cruzamento entre raças Bos Taurus (EUA) ou seja, cruzamento das chamadas raças britânicas (carne) com as continentais (mistas).


O 1º Cruzamento de Bos Taurus x Bos Indicus tem resultados excelentes, comprovados extensivamente á nível mundial. Os animais são sadios, precoces, rústicos e bem mais pesados, e além de tudo isto tem carne de melhor qualidade.


O Cruzamento entre Zebu e Europeu (Ex.: Pardo-Suíço Corte x Nelore) é muito superior à cruza de duas raças européias diferentes (Ex.: Angus x Simental), ou a de duas raças zebuínas (Ex.: Nelore x Brahman).


O produtor encontra no mercado raças européias puras, sintéticas e compostas com as quais pode trabalhar na monta a campo no cruzamento industrial. O cruzamento pode ser terminal com abate de machos e fêmeas, e também permite utilizar a fêmea cruzada para reprodução ou como receptora de embriões.


Nosso esquema de cruzamento com touros à campo é:

* Principalmente fêmeas Nelore

** Fêmeas Cruzadas Bos Taurus x Bos Indicus (Ex.: Nelore x Pardo-Suíço Corte)

*** Fêmeas ¾ Nelore ¼ Pardo-Suíço Corte


Nossa experiência desde 1983, com diversas raças Européias Puras, Sintéticas e Compostas sempre com a utilização do Touro à campo em monta natural, demonstrou:

  • O F1 (primeiro cruzamento de Zebu com Europeu) é sempre bom.

  • Cobrir a fêmea cruzada com o mesmo touro Europeu (obtendo 3/4 Europeu) ou outra raça européia (Tricross) leva à perda de rusticidade e de adaptação e não é indicado para qualquer tipo de criação à pasto. No caso do superprecoce em confinamento é boa opção, com abate dos machos e fêmeas produzidas.

  • O retorno para o Nelore dá bons resultados produzindo-se animais rústicos, com precocidade e acabamento e abate dos machos e fêmeas ¾ Nelore dos 18 aos 30 meses de idade.

  • A raça européia pura que testamos em monta natural e que aprovamos em nosso sistema de produção com boa performance a campo é a Pardo-Suíço Corte - Braunvieh.

  • Usamos com sucesso e em larga escala Touros Pardo-Suíço Corte à campo no Mato Grosso do Sul há 16 anos, a partir do ano de 1987.

  • Com as Raças Compostas, no caso o Montana Tropical temos experiência de 08 anos com uso de touros à campo. Esta raça composta foi formada a partir do cruzamento de quatro troncos raciais:

Nelore - Bos Indicus

Adaptado - Raças bos taurus adaptadas aos climas quentes.

Britânico - Raças britânicas

Continental - Raças continentais.


  • A performance do Touro Montana Tropical (raça composta) à campo é muito boa sendo que o utilizamos em larga escala desde 1995.


Conclusões:


Os resultados de qualquer cruzamento dependem também das qualidades das fêmeas e em especial da qualidade genética do touro escolhido para cada rebanho (o touro deve sempre ser melhorador – genética comprovada).


Nenhuma raça pura zebuína, européia, sintética ou composta isoladamente vai resolver o problema da pecuária de corte em um país com rebanho de 164 milhões de cabeças e com condições de clima e pastagens bastante heterogêneas.


Para cada clima ou condição de criação e para cada objetivo a ser alcançado pelo criador de determinada região do Brasil uma ou outra raça podem ser as ideais.


Certamente não existe nenhuma raça superior em tudo e em todas as características produtivas e adaptada a todas as regiões do Brasil ou do mundo.


Se isto fosse verdade teríamos só uma raça de corte em todo mundo.


O pecuarista deve buscar as informações de criadores tecnificados que possam lhe oferecer um reprodutor avaliado geneticamente (DEP’s) de raças puras ou compostas e escolher qual o sistema ideal de criação para sua fazenda (Cruzamento terminal ou utilizar fêmea cruzada para criar).


A opção ideal não é a mesma para todas as fazendas e tipos de matrizes do Brasil, e o produtor tem todas as armas a sua disposição para ter um pecuária de corte moderna e eficiente.




Kenneth Coelho


              
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