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15/07/2010
Fonte: Blog do João Bosco Leal
O Palácio do Planalto e a Copa do Mundo de 2014
João Bosco Leal*

Assistindo a um jornal pela televisão, ouvi a notícia de que a reforma do Palácio do Planalto, que ainda não foi encerrada, já consumiu R$ 100 milhões, e que o escritório de Oscar Niemeyer, autor do projeto original, alega que a mesma foi muito mal feita, com materiais de péssima qualidade, e que já havia informado isso antes, por escrito, ao governo.

Comecei a me questionar sobre os valores e achei que deveria haver algo errado na informação, pois penso que para o cidadão comum, e para um engenheiro, construtor de obras sólidas, realizadas com matérias de boa qualidade, está claro que com esse valor consegue-se construir, no mínimo, três prédios como aquele. Mesmo imaginando-se o desperdício de dinheiro do contribuinte, tão comum no poder público, penso que se construiria, ao menos, dois prédios iguais àquele.

Mas daí a se pensar que esse dinheiro foi gasto somente na reforma do mesmo, e que, além disso, arquitetos de renome internacional alegam que a reforma foi muito mal feita e com materiais de baixa qualidade, que inclusive poderiam comprometer a estrutura do imóvel, já é algo inimaginável para esse contribuinte, que, afinal, é quem está pagando essa conta.

Se existe assim tanta diferença entre o que poderia ser, e o que foi feito, me pergunto: onde foi parar esse dinheiro? Onde estão a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal? Por que não exigem uma perícia técnica no local para acabar com esse questionamento? Afinal, quem hoje lá está, quem mandou fazer, quem executou a reforma e seus responsáveis vão passar, sair de lá, morrer, e o prédio, pelo menos em tese, deveria lá permanecer. E, se isso não ocorrer dessa maneira, quem será responsabilizado?

Essas coisas no Brasil estão ocorrendo com muita frequência, principalmente no atual governo, e, se assim já está, penso em como será daqui até 2014, quando o país sediará a Copa do Mundo. Basta ver as declarações da FIFA, nesta semana, de que “tudo”, em termos de preparativos, está atrasado. Se já vi este filme antes, é assim mesmo que ocorrerá, de última hora. Assim, como todas as obras deverão ser realizadas por empresas “especializadas” e, também por falta de tempo hábil, muitas concorrências e licitações acabarão sendo dispensadas e entregues à “única” empresa capaz, que preenchia os requisitos formais e se apresentou.

Mesmo sendo totalmente contra qualquer tipo de regime totalitário, tenho que fazer algumas perguntas e as respostas, a meu ver, são óbvias. Quem realizou qualquer grande obra de infraestrutura no Brasil nos últimos 50 anos? Obras destinadas ao fornecimento de energia, transporte, portos, ferrovias, hidrovias e grandes rodovias? Alguém conhece algum dos governantes responsáveis por qualquer dessas obras, que neste momento certamente estão em sua mente, que saiu do governo ou morreu rico? Como sei as respostas que estão passando por sua cabeça, fico aliviado de não ser o único brasileiro que ainda pensa.

Os que assim não pensam, são exatamente os que, em outra época, sequestravam, assaltavam e matavam, tentando mudar o regime político do país. Depois fugiram e agora aí estão no governo, roubando, tentando acabar com os que no passado os reprimiram, e que nada constroem no país, ou, quando o fazem, é como estão fazendo no Palácio do Planalto e farão com a infraestrutura necessária para a Copa do Mundo de 2014.

(*) João Bosco Leal é produtor rural e ex-presidente do MNP.
              
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