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29/07/2010
Fonte: Zero Hora
A tecnologia nos alimentos, por Susana Kakuta*
Nutracêutica é parte da nova especialidade tecnológica que será implantada no Parque Tecnológico São Leopoldo, Tecnosinos.

 

O termo foi criado por Stephen DeFelice, em 1989, e resulta da combinação de nutrição e farmacêutica. Caracterizando-se como uma nova ciência que busca contribuir, de forma significativa, para a melhora da oferta nutricional dos produtos alimentares, para a diminuição do custo da saúde e a erradicação da fome.

Recentemente, participei da maior feira europeia do setor, a Vitafoods, na Suíça. Chamaram-me a atenção três pontos: primeiro, o alto potencial de produtos brasileiros, reconhecidos por grandes empresas globais, versus nossa incapacidade de ter um projeto de agregação de valor. Bons exemplos são o açaí e a acerola, considerados “superfrutas”, mas exportados como polpa; segundo, o surgimento de um conceito de “montadora de alimentos”, já com participantes bem definidos. Notei a intensa presença de chineses, coreanos e indianos desenvolvendo “componentes” para essa indústria, enquanto nós, brasileiros, contávamos com apenas duas empresas comercializando produtos de base na cadeia de valores; e terceiro, a sinergia entre indústrias e universidades na busca de novas soluções tecnológicas, tendo em vista o alto grau de requerimento técnico imposto por um novo consumidor e pela demanda e dinamismo tecnológico.

Segundo o relatório da Global Industry Analist Inc., o mercado mundial de nutracêuticos, em 2010, é da ordem de US$ 187 bilhões. Estados Unidos, Europa e Japão dominam 87% dessa rede. O setor cresce turbinado pelo aumento significativo de pessoas que aderem a um estilo de vida mais saudável e, também, pelos avanços científicos e tecnológicos que suportam o desenvolvimento dessa indústria. Países do eixo Ásia-Pacífico, especialmente China e Índia, devem emergir como grandes players globais nesse mercado.

Para nós, gaúchos e brasileiros, impõe-se urgentemente reorganizar a cadeia produtiva de alimentos e redefinir uma estratégia de competição, baseada na agregação de valor e na substituição progressiva das exportações de commodities por tecnologia de alimentos. Esse desafio é de todos: do campo à indústria. Afinal, já em 2002, Chiarello diagnosticou o distanciamento entre vender uma tonelada de soja em grão (US$ 150-170 a tonelada) e vender uma tonelada de produtos fitoquímicos com origem na soja (US$ 1 mil a 10 mil a tonelada). Sem dúvida, uma boa diferença.

              
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